Filosofia da Economia

In Rodrigo Reis Lastra Cid & Luiz helvécio Marques Segundo (eds.), Problemas Filosóficos. Pelotas - Princesa, Pelotas - RS, Brasil: pp. 552-592 (2020)
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Abstract

O escritor A. J. Jacobs (2018) decidiu agradecer todas os envolvidas na preparação de seu cafezinho diário; isso o levou a uma jornada épica para contatar milhares de pessoas, desde a barista que lhe vendia o expresso matinal, passando por designers e inventores, até os agricultores que plantaram e colheram o grão em outro continente. Não existe um único indivíduo ou grupo responsável pelo seu café: é preciso um mundo para produzi-lo; é resultado de uma cadeia produtiva, uma rede decentralizada que envolve diversos serviços espalhados internacionalmente – e todas essas pessoas, por sua vez, consomem outros produtos, com outras cadeias. Como este livro. Contraste esse exemplo com a anedota do diplomata soviético que, visitando Londres, fica maravilhado com as padarias – e então pergunta pelo encarregado da distribuição de pães na cidade (Harari, 2016, p. 372). Para seu espanto, os economistas ingleses respondem que ninguém tem esse cargo: o fornecimento de pães é resultado de um agregado de decisões individuais, em que cada fornecedor de matéria-prima (como farinha, sal, fermento) e serviços (transporte, padaria, limpeza) regula sua oferta a partir do que espera que os consumidores querem consumir – e o quanto estes estão dispostos a pagar. É o caso clássico do funcionamento de uma economia de mercado – em contraste com uma economia de comando, onde um grupo de pessoas, conscientemente, toma decisões sobre produção e distribuição. Esses exemplos ressaltam as “vantagens” dos mercados; pode ser tentador pensar, a partir deles, que todos os bens e serviços deveriam ser fornecidos dessa forma, porque isso maximiza a liberdade individual ou tende a 553 levar ao bem-estar coletivo, e que o melhor a fazer é evitar interferências nesse sistema – ideias associadas ao liberalismo econômico, uma teoria política e econômica que tem por patrono Adam Smith (o primeiro economista clássico). No entanto, mesmo economistas liberais reconhecem que há falhas de mercado (como bens públicos e monopólios129). Voltemos a A. J. Jacobs, o qual frisa seu agradecimento ao serviço de fornecimento de água, um “milagre moderno”: ao longo da história, a imensa maioria das pessoas não teve acesso a água encanada – mesmo hoje, 2 bilhões de pessoas ainda carecem de condições sanitárias adequadas (água e esgoto), o que causa doenças que matam 829 mil por ano (WHO, 2015). É um problema que não pode ser resolvido só por mercados, nem por associações filantrópicas; na maior parte do mundo, é um serviço público, geralmente fornecido ou regulado por estados – e sua ausência decorre de falhas de governo

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