Duração e Memória: A Crítica de Gaston Bachelard ao Psicologismo Temporal Bergsoniano

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Abstract
Em A intuição do instante (1932) e A dialética da duração (1936), a problematização a respeito do tempo levantada por Bachelard, a partir das teses bergsonianas da duração, deixa de ser uma simples reinterpretação do conceito de tempo e passa a se encaminhar aos poucos para uma ruptura evidente com o bergsonismo. Neste artigo, trataremos dessa ruptura via a interpretação psicológica da duração feita por Bachelard, fato esse que automaticamente estabelece um contraponto com o psicologismo temporal bergsoniano, sobretudo em A dialética da duração, onde ele irá forjar seu entendimento de consciência temporal e, por consequência, de memória. Ao estabelecer tal crítica Bachelard filia sua ideia de tempo psicológico às noções de ato de consciência e atenção que, por sua vez, estão circunscritas à razão que ordena os instantes descontínuos, sejam eles eficazes e ricos ou ineficazes e pobres. Mostraremos de que maneira isso ocorre e é desenvolvido em sua filosofia a partir de três passos decisivos: 1) uma interpretação de memória apoiada nas teses sobre a conduta do psicólogo Pierre Janet (contra a imediaticidade); 2) por meio de uma evidenciação do dinamismo e liberdade presentes na psyché e na própria memória a partir da valorização da ideia de intervalos imanentes às estruturas da consciência (descontinuidade); 3) uma interpretação de memória como espera (possibilidade).
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